Durante um eclipse lunar total, a Lua entra na parte mais escura da sombra da Terra. Se nosso planeta fosse uma esfera sem atmosfera, a superfície lunar praticamente desapareceria. Em vez disso, ela costuma assumir tons de cobre, laranja ou vermelho profundo.
A luz que produz essa cor saiu do Sol, atravessou uma longa faixa da atmosfera terrestre, foi desviada ao redor do planeta e finalmente alcançou a Lua. O fenômeno transforma a atmosfera da Terra em uma espécie de lente e filtro luminoso.
Como a sombra da Terra alcança a Lua
Um eclipse lunar só pode ocorrer na fase cheia, quando Sol, Terra e Lua estão alinhados nessa ordem. A órbita lunar é inclinada em relação ao plano da órbita terrestre; por isso, o alinhamento perfeito não acontece em toda Lua cheia.
A sombra da Terra tem duas regiões. A penumbra é a parte externa, onde apenas uma fração do disco solar fica bloqueada. A umbra é a região central, onde a Terra cobre o Sol por completo. Em um eclipse total, toda a Lua atravessa a umbra.
Mesmo dentro da umbra, a Lua não fica isolada da luz. A atmosfera terrestre permite que uma pequena quantidade de radiação solar contorne a borda do planeta.
O mesmo princípio do céu azul e do pôr do sol
A luz branca do Sol reúne diferentes comprimentos de onda. Ao atravessar a atmosfera, os comprimentos menores, associados ao azul e ao violeta, são espalhados com mais eficiência. Esse espalhamento de Rayleigh ajuda a explicar por que vemos o céu azul.
Quando o Sol está perto do horizonte, sua luz percorre uma camada maior da atmosfera. Grande parte do azul é espalhada, enquanto tons vermelhos e alaranjados atravessam o caminho com mais facilidade. É por isso que amanheceres e entardeceres podem ficar avermelhados.
No eclipse lunar ocorre algo semelhante em escala planetária. A luz solar passa tangenciando toda a borda da Terra. O azul é espalhado, e a parcela avermelhada restante é refratada — desviada — para a região da sombra, onde ilumina a superfície lunar.
Assistir no YouTubeTodos os amanheceres e entardeceres da Terra
Para um observador imaginário na Lua, a Terra ocultaria o Sol. Ao redor do planeta surgiria um anel avermelhado produzido pela atmosfera. Esse anel reuniria, ao mesmo tempo, a luz de todos os amanheceres e entardeceres existentes na borda terrestre vista dali.
A Lua reflete essa iluminação de volta para nós. Como sua superfície é escura e não produz luz própria, pequenas variações no brilho recebido mudam bastante sua aparência. A cor pode variar de laranja claro a marrom escuro.
A cor revela algo sobre a atmosfera
Nenhum eclipse total é visualmente idêntico a outro. Nuvens bloqueiam parte da luz; poeira, fumaça, aerossóis e material lançado por erupções vulcânicas alteram o que atravessa a atmosfera. Quanto mais partículas houver, menos luz pode chegar à Lua.
A tonalidade observada também depende das condições do céu local, da altura da Lua e da câmera usada. Fotografias podem intensificar cores por causa do tempo de exposição, do balanço de branco e do processamento.
Como observar com segurança
Ao contrário de um eclipse solar, o eclipse lunar pode ser observado diretamente sem filtros especiais. Binóculos e telescópios revelam detalhes, mas não são necessários: o fenômeno é visível a olho nu quando o céu está limpo.
Também não é preciso estar em uma faixa estreita do planeta. Cada eclipse lunar pode ser visto de toda a metade da Terra onde a Lua está acima do horizonte. O mais importante é conferir os horários para sua cidade e procurar uma visão desobstruída do céu.
A Lua vermelha não é um sinal de mudança física no satélite. É a assinatura da própria Terra projetada no espaço: a sombra do planeta contornada pela luz filtrada através de nossa atmosfera.
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